sábado, 25 de fevereiro de 2012

• Viver e não ter medo de SER •

Tenho vivido com frio na barriga, todos os dias.

Desde que aceitei que algumas histórias só existem na ficção, que me desprendi de alguns laços e senti o chão rachar, aprendi a recomeçar e ignorar o passado. Digo, quando estou alegre ou embriagada, as coisas ficam mais fáceis, mas, eu nasci vencendo.
Desde o primeiro segundo de vida, fui a eficiente, fiquei encarcerada por 9 meses, aprendi a me locomover sozinha, venci dias de febre, noites de dor de dente (enquanto minha mãe imaginava que era fome, frio ou frauda molhada), venci meu medo de andar, venci o medo de cair e me jogava no chão pra ter graça, venci até mesmo minhas convicções.. quando eu me ralava toda na calçada e meu pai gritava do outro lado da rua "levanta, não foi nada", eu sabia que estava doendo e sangrando, mas confiava naquela voz que quase me convencia que era tudo parte do meu teatro infantil.
Eu nasci vencendo, acordei vencendo, adormeci vencendo, até mesmo quando perdi. E perder tem se tornado interessante, gera um riso bobo no final, é saber que sou forte pra me ver desabar sem desistir, é saber que as cicatrizes são os sinais de que passei por chuvas de canivete e sobrevivi pra contar, é saber que minha alma é maior que todos os desastres, até o último que eu puder narrar.
E cara, como é bom confiar em si!
Eu confio no que a vida me tornou, confio nas pessoas que me fizeram crescer, confio na minha história e no que eu trago na bagagem.. e sou feliz por ser quem sou.
Não tenho mais que evitar nada, nem ninguém. Sabe quando você olha pra alguém que pensou ser tudo na sua vida e respira aliviada, pensando: "Obrigada por não ser a pessoa certa, daria errado do mesmo jeito e eu não saberia aceitar"? Então, tenho agradecido por essas pessoas passadas terem passado sem que eu pudesse me arrepender do que fiz ou deixei de fazer.
Só há arrependimento interno, com os outros não.

Sabe quando você acorda com a sensação de que seu dia será incrível? Mesmo que nada extraordinário aconteça, você percebe que o fato de não ter sido ruim já é pra se comemorar, estou comemorando cada dia vencido, cada problema solucionado, cada pessoa satisfeita com que eu fiz, isso tem me deixado mais leve, mais viva.
E por falar em viver, o universo tem sido generoso comigo.. no meio desses escombros todo, não é que há sinal de vida?
Estou me preparando pra resgatar que for, mesmo que seja eu, agora saberei o que fazer quando ouvir o pedido de resgate.

Experiência > Um dia a gente aprende a lidar com algumas situações > aí aparece em seguida uma situação que não sabemos lidar > Experiência > Um dia a gente aprende a lidar com algumas situações (...) É o ciclo.

A vida é uma arte, cara.
Tenho pintado minha tela com cores desconhecidas.
Gosto do cheiro que essa tinta tem, gosto de vê-la dançando no branco e criando formas.
E assim, eu vou seguindo.



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

• Seize the Day •

Coloquei Yann Tiersen pra tocar e sentei na beira da cama..
Foi um dia difícil desde as primeiras horas, tudo tão atropelado no trabalho, pessoas cobrando respostas, horários para cumprir, prazos estourando, insatisfações e pouquíssimo sinal de gentileza. Chegar em casa nunca foi tão agradável, seria mais se não fosse acompanhado de problemas pessoais, internos, fantasmas. As vezes é como se eu estivesse tão anestesiada que não conseguisse ouvir minha voz, na verdade, tenho pensado mudo, sem ruído.

Tenho me sentido sozinha, monologando a prosa. E acho que é o melhor, por agora.
Eu sempre tive medo de estar sozinha, sem ter com quem dividir as coisas, sem ter pra quem contar o caos, dá uma sensação de que o chão vai abrir e não terá nenhum herói de ultima hora, chegando de maneira triunfal e estendendo a mão.
Talvez, eu tenha aprendido a me agarrar no que há por perto e não precise mais desse herói.
Me sinto mais forte, mas firme pra aguentar as ventanias diárias, estou resiliente e sem muito medo de dizer adeus, só não sei se é real ou é uma maneira que encontrei para evitar sofrimento.

Eu decidi que não choraria e não chorei.. bom, lágrimas não molharam minhas mãos.
E quanto ao meu coração? O quanto ele está doente?
Queria saber o quanto posso me doar ainda, o quanto tenho capacidade de conhecer pessoas e lugares, de contar minhas histórias e rir de tudo de novo.
Eu quero saber o que restou de mim, pra mim e pro mundo.

Não estou preocupada em ocupar algum espaço, só quero estar apaixonada.
Tenho me apaixonado por música, livro, quadro, bicho.. as vezes, me apaixono por gente, não importa, preciso viver a parte intensa das coisas.
Eu não sei viver à margem do que pode ser, não sei chegar no horário certo todo dia, não sei gostar sem querer ter, não sei agir da forma que esperam, bem menos consigo seguir sem entrar na contramão.
Dizem que quem segue todas as regras, não se diverte, que eu não morra por falta de diversão.

Eu aprendi a sorrir e seguir em frente.
Aprendi que não importa o que você faça, sempre será reflexo da opinião dos outros, do problema alheio, das frustrações não resolvidas, do caráter (ou falta dele) do próximo. Por isso eu digo APROVEITE O SEU TEMPO COM O QUE TE FAZ BEM.
Aproveite sua vida com quem te faz sorrir, com quem te fazer quebrar regras, faça coisas loucas, escreva um livro, faça uma música, uma tatuagem ou deitei na grama e agradeça pelo ar que respira, olhe pra lua como se fosse a ultima vez, abrace quem você ama como se fosse a ultima vez, chore com filmes, grite em shows, pule, dance, tome um porre da bebida que mais gosta, se jogue nos braços de alguém.. mas faça sua passagem valer a pena!
Nós não sabemos o que nos espera no próximo segundo, numa joga estúpida a vida pode lhe roubar um sorriso ou tomar a chance que lhe deu de ser feliz, então, não viva apenas, SOBREVIVA, vá além do que pode ser, mostre o quanto pode ser bom.

Só existem dois dias que não podemos fazer nada, o ontem e o amanhã.
Enquanto ficamos trancafiados em nossos problemas, planejando uma maneira de não enlouquecer, a vida acontece e você pode perder a chance de mudar seu dia.

Não encurte a vida, não desperdice seu dom.
Aproveite o caos como se fosse a única salvação, talvez seja mesmo.
Aproveite o dia, antes que ele vire ontem e você se frustre pelo amanhã.
A vida é pra quem não tem medo de viver.
E eu já estou na estrada.


Isso acontece quando a gente para de olhar pra si, abre a janela de casa e vê um mundo de oportunidades.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

• Goodbye to Romance •

Cá estamos novamente, doutor.
Confesso que dessa vez, pensei que fosse demorar um pouco mais.
Tudo bem, o que seria da vida se não fossem os desencontros? Hoje é melhor eu não responder.
Estamos aqui, em mais um típico dia cinzento e insosso.
Hoje eu desaprendi a ter fé, esperar e acreditar em dias de sol. Hoje tudo aqui é vendaval e poeira nos olhos, por isso estou aqui, pra não ferir.

Dizem que é perigoso despertar as pessoas de seus sonhos, hoje entendi.
Mas eu precisava contar que, existem duas palavras que aprendi depois de cair e me jogar tantas vezes no chão: CONTINUAR VIVENDO. É isso que farei.

Um dia desses, volto pra contar que perdi o medo de voar de novo, que estou sorrindo, que chorei a madrugada toda e me embriaguei pra tentar anestesiar, depois volto e reviro todas as fotos empoeiradas e digo que nada vai mudar, volto e conto que tudo é mutável e caio, me jogo, contradito, peço perdão e sinto ódio, sinto falta e sinto nojo, digo que foi a última vez, que não me entregarei, prometo não amar, não sofrer e não sonhar.
Doutor, o senhor sabe que eu não sei viver pela metade, se for pra sofrer, que seja de todas as dores, se for pra sorrir, que mostre todos os dentes. E não adianta, sou irremediável e gosto de ser assim.
Eu não procuro cura, não quero imunidade, quero sofrer e chorar, quero injetar caos e respirar confusão, porque eu sei que, sou maior que todos os problemas, que depois que resolver um, criarei outro ainda maior, porque isso me move e eu não sei ser fixa, domável.

Doutor, eu vou continuar dançando.
Na chuva, sozinha, sentindo cada gota no rosto.. o que importa é que eu continuarei dançando, com ou sem par, mesmo se não tiver platéia, eu danço por mim, a vida continua e eu continuarei vivendo.

Um dia desses, alguém me convida pra dançar.
Enquanto houver música, haverá um chance de ser feliz.
E se um dia a música parar, a gente improvisa e canta, só pra não morrer de vez.

O mundo pode acabar, eu estarei dançando.
Goodbye to Romance.




terça-feira, 6 de dezembro de 2011

. Clarice, preciso conversar! .

- Alô, Clarice? Preciso conversar!!
- Como vai? Me diga, o que aconteceu para me ligar essa hora?
- Estou bem, como sempre, mas morrendo.. você sabe. Andei lendo umas coisas que você escreveu e , não é fácil acreditar quando falar de passado..
- Você e seus monstros embaixo da cama, mocinha?
- Antes fossem monstros embaixo da cama, eles só aparecem a noite, durante o dia nem lembramos deles.. É que, quando você se machuca, perdoa os erros passados, acredita de novo e se machuca de novo, pelo mesmo erro alheio, o que fazer?
- Perdoar de novo e voar de novo, para outro canto.. Você sabe disso.
- Mas Clarice, quando você fala "Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros e as decepções do passado", o que quer dizer?
- Sabe porque as pessoas simplesmente não são plenas?
- Não.. estou tentando entender.
- Querida, nós não aceitamos perder, ser passado pra trás, quebrar rotinas viciosas. Chega uma hora que temos, por obrigação, que renascer, pra continuar vivendo.. algumas pessoas ficam tão amarguradas, que preferem virar cinzas e nisso permanecem.
- Eu sei, preciso perdoar.. mas, eu ainda não consigo me perdoar, por ter ido tão longe, por ter acreditado em tudo, do mesmo jeito, novamente..
- Esse é o problema, você não enxerga totalmente, é como se estivesse usando o óculos de grau errado, mas calma, um dia você acerta..
- E quando que isso terminar, o que será depois?
- Você ligará novamente, tomaremos um chá e fumaremos um cigarro.. Dirá que encontrou um novo amor, esperará por salvação, caíra e ligará novamente...
- Como você sabe?
- A vida é feita de amor, amigos, vícios e desilusão.. Mas acalma sua mente, deixa cada gota de caos escorrer, podemos viver assim, nessa linha tênue, até que...
- Até que..?
- Um dia poderemos descobrir.
- Um chá as 17h?
- Camomila e nicotina, em um passeio por toda Paris.
- O que seria de mim, sem você, Clarice?
- A mesma coisa de sempre.
Entenda, o que muda em nós são os rostos, não os roteiros.. pensa nisso, não precisa viver com alguém que não lhe quer tão bem, mas que você quer que seja. Nada forçado tem o mesmo sabor.. Querida, viver é perder-se também. Ouse arriscar em não ter nada nas mãos para amanhã, são as mãos livres que podem segurar novos presentes. Te espero aqui e continuaremos, com toda a calma do mundo.



sábado, 22 de outubro de 2011

. Eu sou o inimigo .

Eu já havia avisado sobre essa loucura toda que me cega. Na verdade, parece que não funciono quando as coisas vão bem, é como se o caos seguisse o tempo todo, é como se fosse um terceiro olho, uma anomalia, uma mutação em mim.
Me acostumei a ver a fênix virar cinzas e nascer de novo.. nasci sempre mais forte, até aqui. Como se um gato vivesse numa vida devasta até a 6ª e resolvesse ser converter, com medo da última, só que mesmo com tanto esforço e mudança, numa jogada de azar, escorrega e cai de costas, gastando a última chance, imbecilmente e quase sem querer.

É assim que me sinto, um gato estúpido que escorregou e gastou sua ultima vida.
É assim que as coisas tem sido por aqui.

Eu cansei de errar, cansei de me afundar em meu caos, em minha mente confusa, cansei de tropeçar na minha sombra. Não adianta o universo todo à favor, quando dentro de si mesmo, vivem inimigos, monstros do lago, que te devoram como câncer, que te fazem perder a esperança, que te fazem acreditar que não há amor do outro lado.
Eu sou essa doença que me corrói. Eu sou essa falta de amor, eu sou esse inimigo que nunca dorme, afinal, quem mais poderia me ferir tanto desse jeito senão a tentação dessa mania de querer viver à minha própria lei?
Sou eu o delator, o traidor da pátria, o pai que nunca mais voltou, o filho que fugiu de casa.
Eu me fiz assim, eu me sabotei assim, eu construí esse cavalo de Tróia, não por falta de amor próprio, mas por falta de fé.
Essa falta de ar, de chão, de fé, essa merda me mata lentamente, de forma rápida. Tenho vivido menos, tenho sonhado menos, estou sorrindo menos, agradecendo menos, dando menos "bom dia".
O ciúmes, o medo, a falta de fé. É tudo numa bomba nuclear, dentro de mim.

E para onde foram os que sempre estariam aqui?
Não, eles não existem mais, projetei como meus heróis e agora estão mortos. Há túmulos e velas por todos os lados.
Restou uma parte da minha mente, um pedaço de qualquer coisa, um grito.
Restou algum surto de consciência que me chacoalha e bate na minha cara, exigindo reação.

Sou eu, frente ao espelho quebrado, lutando pra tentar me ver novamente, sem essas máscaras de ferro, sem o lápis borrado e as cicatrizes.

Não sei como, mas, eu exijo que essa parte de mim vença. É a minha vez de tomar as rédeas da minha vida, de estancar essas feridas e limpar as manchas de sangue no tapete.

Eu não sei qual caminho seguirei, mas eu juro por tudo que é mais sagrado e imaculado nesse mundo, esse caminho me levará até você.

Te levarei até o cume e mostrarei como sou no sol.
Bem mais que aquele leão masoquista e doentio.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

. Espreita .

E que não se atreva a chegar perto demais, fique aí, na margem de lá, na linha de tolerância, de um lugar que eu não possa ouvir seus pensamentos. Não me provoque com sutis frases doces, não me faça acreditar na anarquia de um coração, não me deixe esperar. Fique do lado de lá, mas não saia do meu alcance, fique perto, mas distante, quero te ver, mas não te acompanhar. Não quero te levar, quero ir, voltar e te ver onde está. Não diga que me quer bem, diga apenas bem, pois se falar em querer, morrerei por alguns dias... Só diga bem, o querer é meu e sei que é falho, bobo, utópico. Não me conte suas verdades, não fale com quem andou, apenas confie em mim, mas não me toque, não me olhe profundamente, não leia da janela, não acompanhe meus passos, não adentre o arame farpado, ainda está tudo frágil, não posso arriscar.


Sei que vai doer, mas também sei que vai passar. Já ouço a canção da despedida, mas ainda não passou.



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

• Você Nem Sabe •

Você nem sabe, garota, mas eu vigio seu sono, seu olhar, sua respiração. Nunca deixei de te amar, nem de te querer, só te quero baixinho, interno, pra mim, só te quero para querer recordar que já tive assim, pertinho.

Você nem sabe, guria, mas reparo em você, na forma com que mexe os ossos, no seu passo curto, arrastado. Você, menina do sorriso raso, do abraço apertado, do olhar impossível de acompanhar, não sabe e nem deveria saber, mas quando se sente o furacão todo, de dentro pra fora, passa vida, passa ano, passa hora, a gente sempre namora com o lado de dentro o que resta do lado de fora.

Faça barulho, faça silêncio, faça de tudo, ninguém mudará.